Abstenção superior ao número de eleitores motiva repetição das eleições

25-05-2012

No momento de maior instabilidade política na história bugiesa, a democracia nacional volta a demonstrar as suas características únicas depois de as eleições para a Assembleia Nacional terem resultado numa abstenção de 112%, remetendo a participação eleitoral para um número negativo. Questionado sobre os motivos do fenómeno, Serapião Portachaves, presidente da Comissão Nacional de Eleições foi categórico: “Manter as urnas abertas apenas entre as sete e as oito da manhã para reduzir custos foi uma ideia de merda.” Surpreendentemente, nem os candidatos se deram ao trabalho de votar. Jerónimo Salafrário, primeiro-ministro interino e candidato pelo PAS (Partido da Alimentação Saudável), desculpou-se com uma noitada de reflexão que não lhe permitiu acordar cedo enquanto o candidato do PPA (Partido Progressista Acomodado), Alberico Candomblé, afirmou ter perdido o cartão de eleitor e prometeu que, quando for eleito, uma das primeiras medidas do seu governo será a substituição da hóstia comestível pelo papel como material de impressão dos documentos de cidadania. As eleições serão agora repetidas em data a anunciar e estudam-se formas de combater a abstenção. A colagem de boletins de voto sobre o rótulo de garrafas de bebidas espirituosas ou o recurso ao crime organizado para recolher os votos no domicílio dos eleitores são possibilidades sobre a mesa. Neste segundo caso, acredita-se que a intimidação e a violência física e verbal não atentarão contra a verdade do processo. De acordo com sondagem realizada em conjunto pelo semanário diabético “A Fartura” e pelo Instituto Superior de Teologia e Onanismo, as intenções de voto continuam a ser lideradas por um dos partidos que concorrem, notando-se acentuada subida do PDO-ND (Partido Democrático Operário-No Desemprego), mas apenas porque sim.

Última hora: Protestos populares dos últimos dias motivam queda do governo

19-03-2012

Numa crise sem precedentes na história política bugiesa, S.A.R. o Grão-Duque Teodorico acaba de aceitar a demissão do chanceler Estanislau Mendes Trambolho, depois de três dias e três noites em que a residência oficial do chefe do executivo na Residencial Flamingo esteve rodeada por populares em fúria cantando em coro êxitos do cantor português Nel Monteiro como protesto contra o agravamento da situação económica. Entre gritos de “abaixo o Trambolho” e refrões de “Azar na Praia” , o chanceler acabou por ser escoltado por elementos da Guarda Nacional até ao Palácio da Mururoa, onde, segundo fontes oficiais, terá entregue uma carta de demissão rabiscada à pressa num guardanapo com manchas de chouriço. O momento de viragem foi a tentativa de comunicação com os manifestantes em que, entre apelos à calma e à unidade, Mendes Trambolho pediu que cantassem qualquer coisa de José Malhoa, alegando que Nel Monteiro seria um artista menor. Ainda tentou trautear o refrão de “Baile de Verão”, mas ao segundo “aperta, aperta com ela”, começaram a voar pedras e cocktails molotov. Os manifestantes concentraram-se em seguida na Praça das Doenças da Pele, um dos pontos mais emblemáticos da cidade de São Lourenço, e aí se encontram até agora, rodeados por um cordão policial e por algumas dezenas de texugos treinados em ofensa verbal. A chefia do governo será entregue de forma interina a Jerónimo Salafrário, ministro dos Negócios Estrangeiros e Acepipes Variados do governo que agora cessa funções. O paradeiro actual do ex-chanceler é desconhecido.

Auxílio do FMI pago com favores sexuais compulsivos dos cidadãos

04-03-2012

Após longas horas de negociação no Ministério das Finanças e Dinheiros por Fora, o governo conseguiu acertar com a delegação do Fundo Monetário Internacional o empréstimo de 830 mil milhões de ducados para cobrir o buraco nas contas do grão-ducado agravado pela recente descida do rating bugiês da categoria DDD (lixo) para a categoria DDD- (lixo com vómito por cima) decretada pela agência franco-congolesa “Les Financiers Froufrous”. Para o ministro Barbosa Chouriço, entrevistado à saída da longa maratona negocial enquanto puxava ainda as calças para cima, “o acordo alcançado foi o que melhor serve os interesses do Bugio e, apesar dos sacrifícios exigidos daqui em diante aos cidadãos, acreditamos que o país conseguirá ultrapassar esta crise e recuperar a competitividade.”  O responsável pelas contas bugiesas tranquilizou os que receavam medidas de austeridade extremas, com cortes nos salários, despedimentos e aumento da carga fiscal, assegurando que se conseguiu evitar o pior, trocando os sacrifícios de índole económica pela concessão aos funcionários e colaboradores do FMI de uma autorização sem reservas para utilização de qualquer cidadão bugiês como escravo sexual durante o período de auxílio. A medida não contempla excepções nem dispensas, mas, como forma de aligeirar o incómodo, o governo prepara-se para anunciar que todas as cadeiras do país serão almofadadas gratuitamente e que as bebidas alcoólicas e outras substâncias que permitam esquecer passam a ser subsidiadas.

Bugio disposto a comprar títulos da dívida portuguesa

15-04-2011

O ministro da Finanças e Dinheiros por Fora anunciou que o grão-ducado estará disponível para ajudar à melhoria da situação económica do país vizinho mediante compra de títulos da dívida. Barbosa Chouriço referiu motivos de solidariedade e também a proximidade histórica e geográfica entre os dois países, mas rejeitou a possibilidade de a crise portuguesa poder alastrar à economia nacional, até porque a exportação de palmilhas (principal troca comercial entre Portugal e Bugio) cresceu quase 22% no último triénio e nada indica que os portugueses sacrifiquem o conforto dos seus pés à austeridade imposta pelo FMI e pela União Europeia. A única condição para efectivar o negócio será a aceitação por Lisboa do pagamento com títulos da dívida bugiesa, não se sabendo ainda se a condição será ou não aceite porque o ministro bugiês tem tentado contactar repetidamente o seu homólogo português, mas a chamada cai sempre que se identifica. Recorde-se que a dívida soberana bugiesa conheceu melhorias significativas em 2007, quando evoluiu de “astronómica” para “catastrófica” e se achou melhor deixar de contar.

Resultados da 16ª jornada da Liga Bugiesa “Tintas Toxik”

15-04-2011

Sportivo de Penugem 0 – Quelube Despurtivo Analfabétu 2

Internacional Toxicodependente 1 – União Unida FC 1

A-Ver-Vamos 2 – Recreativo Profiláctico 1

Churrasqueira “Os Pintos” 2 – Académica Subterrânea 0

CF “Os Irrelevantes” 3 – Atlético Empecilho 1

Torpedo Atlético 17  – Real Meidride 1 (a.i.c.)*

* após invasão de campo

Aniversário de S.A.R. o Grão-Duque festejado com três semanas de atraso por esquecimento

15-04-2011

Como sucede todos os anos, os bugieses saíram à rua em júbilo para celebrar com grande orgulho patriótico mais um aniversário do nosso soberano, o  Grão-Duque Teodorico II. Desta vez, com a peculiaridade de os festejos terem decorrido não a 27 de Março, dia do nascimento de Sua Alteza Real, mas sim a 14 de Abril por motivos de esquecimento colectivo. Nem o facto de o dia ser feriado nacional ajudou a avivar a memória, referindo muitos bugieses inquiridos sobre o assunto que sempre atribuíram à data a celebração do Dia Nacional do Pionés. (Recorde-se que o Dia Nacional do Pionés, uma das mais célebres invenções bugiesas, se festeja não a 27 de Março, mas a 25 de Junho, não sendo, no entanto, feriado). Apesar do lapso, os festejos foram comoventes, com a habitual parada militar e com o ajuntamento eufórico defronte do Palácio da Mururoa, residência oficial de suas altezas. O aniversariante pareceu não dar pela troca de datas, mas, como é sabido, a Lei 37/08 de 5 de Janeiro proíbe quaisquer referências depreciativas à lucidez do monarca e poderemos apenas referir que S.A.R. se mostrou quase sempre conhecedor da sua identidade e do motivo de tanta agitação. A cerimónia teve a participação de uma parte considerável da família real, sendo os elementos ausentes substituídos por actores contratados para o efeito. Visivelmente comovido, o Grão-Duque agradeceu a interpretação em estreia de um coral infantil composto para o seu 69º aniversário, que muito lhe agradara já quando o ouviu na comemoração do 68º e do 67º.

Iniciativa “Férias na Fábrica” promete animar o Verão da pequenada

06-08-2010

As crianças bugiesas voltam a ter motivos para esperar um Agosto em grande com o arranque da popular iniciativa “Férias na Fábrica”. Como acontece desde 1991, os pais poderão inscrever os seus filhos com idades entre os 6 e os 12 anos nas escolas que frequentam e, após testes de robustez e formação breve, poderão partir de férias, conscientes de que a sua prole ficará bem entregue, divertindo-se com tarefas didácticas na linha de montagem (das 8 da manhã às 7 da tarde com pausa de meia hora para almoço e duas idas à casa de banho por dia – recomenda-se uso de fralda). Para o secretário de Estado da Juventude e das Indústrias do Sexo, Hipólito Bibi, a popularidade da iniciativa deve-se à conjugação de divertimento e produtividade, particularmente relevante nos tempos de crise que vivemos. “Eu próprio vou receber em minha casa duas crianças durante o Verão para desempenharem tarefas domésticas”, explica. Recorde-se que o mentor da inciativa foi o seu antecessor no cargo, Laurentino Pentecostes (actual presidente da Associação Bugiesa de Indústrias do Calçado), movido pela vontade de afastar as crianças dos perigos da vida moderna. Inicialmente, os rebentos podiam participar também nas iniciativas “Férias na Mina” e “Férias na Construção Civil”, mas estas foram suspensas até se encontrar solução para a elevada percentagem de acidentes incapacitantes. Desde o início dos programas de férias laborais, o trabalho infantil tornou-se praticamente inexistente em território bugiês.

Processo movido por jornalista contra chanceler Mendes Trambolho arquivado após destruição pelas chamas

05-07-2010

A acção judicial movida pela jornalista Tatiana Paes Tremoço contra o chanceler bugiês em exercício foi hoje arquivada depois de o juiz da 4ª Vara Cível de São Lourenço ter incendiado acidentalmente a única cópia do processo enquanto assava sardinhas no seu gabinete. A jornalista mostrou-se indignada com o sucedido e questiona a natureza acidental da destruição, referindo que não foi a primeira vez que “instâncias superiores tentaram entravar a justiça”  e lembrando que, no mês passado, foi convocada para expor os seus argumentos no fundo de uma vala convenientemente situada ao lado de uma retroescavadora em funcionamento. Um porta-voz do governo desmentiu as acusações, reafirmando o interesse do chanceler em ver limpo o seu nome. Na origem do processo esteve um desabafo do líder do executivo à saída de uma entrevista com Tatiana Paes Tremoço (acidentalmente captado pelo microfone de lapela ainda ligado) que qualificava a directora de informação do canal privado Rede 2 como “valente badalhoca”.

Elvis Ramiro disponível para jogar pela selecção portuguesa

16-06-2010

A exibição apagada de Portugal no jogo de estreia no Mundial também não agradou aos bugieses que acompanharam a partida. Um dos desiludidos foi Elvis Ramiro, experiente internacional bugiês de 26 anos, que se ofereceu para ajudar a equipa das quinas a melhorar o seu futebol. Elvis diz ter tido uma vizinha portuguesa de quem era muito amigo, o que, segundo ele, bastará para pedir a naturalização (após apresentação da documentação necessária e de um envelope com recheio suspeito). Apesar das trinta e sete internacionalizações pelo Bugio, não haveria impedimento à troca de selecções, já que o Bugio não faz parte da FIFA e o regulamento que proíbe jogadores de representarem países diferentes não se aplicaria. Recorde-se que o defesa central do Recreativo Profiláctico apontou 18 golos ao serviço da sua selecção, metade dos quais na baliza certa.

“One-night stands” de Santo António voltam a animar noite bugiesa

13-06-2010

Cumprindo a tradição, os bugieses saíram à rua para festejar à sua maneira a noite dedicada a Santo António. Depois do desfile de marchas populares que desceu a Avenida do Orgulho Gay, principal artéria da capital bugiesa, São Lourenço, os laurentinos reuniram-se nos arraiais dos bairros históricos de Albardela, Penico e Encosta, procurando parelha para as tradicionais “one-night stands” apadrinhadas pelo santo casamenteiro. Todos os anos, milhares de cidadãos praticam actos sexuais com desconhecidos e divertem-se muito, até acordarem na manhã seguinte, com a alegria ébria do álcool substituída pelo arrependimento feroz. Como tem acontecido nos últimos anos, a festa contou com o patrocínio generoso do Licor Ornelas (o único capaz de induzir coma alcoólico ao segundo copo) e dos preservativos Gouveia (desde 1934, a cobrir membros bugieses com bonitos agasalhos de pura lã).