História

06-05-2010

Pré-História

A Balofa de S. Lourenço, um dos muitos artefactos paleolíticos encontrados no Bugio.

Os indícios mais remotos de ocupação humana da ilha do Bugio remontam há quinhentos mil anos atrás como demonstram os achados da Gruta da Pujança, nos arredores de São Lourenço. Crê-se que os primeiros habitantes do território eram caçadores-recolectores que se dedicavam, ainda que em regime de part-time, às vendas por correspondência.

Bugio Romano

No ano 199 A.C., uma meia-legião romana comandada por Septímio Albano Maior cercou a ilha e acabou por ocupá-la após resistência intensa dos nativos que durou cerca de quinze minutos. Por um erro burocrático, o Bugio foi constituído em província independente da Lusitânia circundante e Septímio Maior foi nomeado governador a contragosto. Sob sua administração, a província de Bugius Tagudensis prosperou como centro de salga de peixe e bordel fetichista para marinheiros a caminho de Olisipo (actual Lisboa). Por volta do ano 45 da nossa era, o cheiro intenso a peixe salgado tinha arruinado por completo o rentável negócio da prostituição fetichista, afastando os clientes para paragens menos perfumadas e arruinando a economia provincial. O último governador, Plínio Décio Quinto, abandonou o Bugio à sua sorte e retirou-se para uma praia próxima (actual Costa da Caparica). Ninguém lhe sentiu a falta.

Domínio visigótico

Pormenor de gravura contemporânea representando guarnição visigótica durante resistência a uma incursão dos vândalos mandingos.

No início do século V, com o desintegrar do Império Romano, a Península Ibérica foi invadida por ondas sucessivas de povos bárbaros germânicos. Os primeiros a chegar ao Bugio foram os vândalos mandingos, tristemente célebres pela tradição nudista dos seus guerreiros que insistiam em lutar em pelota, espalhando o terror entre os adversários. Sucederam-lhe os visigodos que, sob comando de Torismundo, conquistaram o Bugio e construíram a primeira fortificação (sob cujas fundações seria construída a fortaleza de São Lourenço) para proteger o território das incursões vândalas. Cerca de uma década depois, os vândalos mandingos acabariam por desistir e retirar para o Norte de África quando se lhes acabou a cerveja. No mesmo período, Lourenço, um monge cristão, leva a cabo a cristianização dos visigodos bugieses, esmagando o crânio dos mais reticentes com uma grande pedra.

Invasão islâmica

Com a chegada dos muçulmanos à península, e após resistência heróica da aristocracia visigótica bugiesa, Yusuf bin-Rahman Al-Zenawi quebra o cerco e reclama a ilha em nome do Islão. Após observação breve, muda de ideias e decide devolvê-la aos donos anteriores mas era tarde demais porque estes já iam a caminho do refúgio nas terras do norte, deixando os conquistadores inconformados.

A Reconquista

Os visigodos fugitivos acabaram por se juntar a Pelágio nas Astúrias e foram dos mais activos no avanço da fronteira da cristandade para sul. Instalaram-se na região entre Douro e Minho e foram vassalos de Vímara Peres e Henrique de Borgonha. Merece destaque durante a Reconquista a família de Gervásio, conde da Bizarria e foi a ele que, após conquista de Lisboa, Afonso Henriques entregou a ilha do Bugio, elevando-o à condição de duque. A consolidação do ducado como vassalo do Reino de Portugal deveu-se a seu filho, Gervásio II Pacheco, o célebre rebenta-bilhas da batalha de Ourique.

As Descobertas

Antão Pêro da Brandoa procurando o Bugio no globo terrestre.

Nos séculos XV e XVI, o Bugio participou activamente no período áureo da expansão marítima portuguesa, contribuíndo com grandes navegadores que fizeram o melhor que podiam, ainda que houvesse um esforço consciente dos portugueses em relegá-los para papéis subalternos. Mesmo assim, nomes como os de Antão Pêro da Brandoa, Simão Vaz Burrica, Bartolomeu Teixaredo e Madalena de Santa Comba ficarão para a história não tanto pelo que descobriram mas pelo que podiam ter descoberto se os deixassem.

O terramoto de 1755

O grande terramoto que destruiu a cidade de Lisboa no dia 1 de Novembro de 1755 teve também as suas repercussões no Bugio. O castelo de Santa Pamela da Mururoa, residência oficial dos duques, foi arrasado, perdendo-se a maior riqueza em todo o ducado, a fabulosa colecção de cacos de vidro e cerâmica reunida ao longo de trinta anos pelo duque Teodósio e que foi completamente estilhaçada.

A quase invasão napoleónica

Em 1807, os exércitos napoleónicos comandados pelo Marechal Junot, a caminho de Lisboa, passam a alguns metros do Bugio completamente coberto por um banco de nevoeiro, graças ao qual o ducado conseguiu manter-se livre do jugo gaulês. É também por isso que, até aos dias de hoje, ninguém consegue fazer um croissant de jeito, nem mesmo nas pastelarias mais finas de São Lourenço.

Proclamação do Grão-Ducado

Godofredo I liderando o cortejo até à capela-mor da Catedral de Santa Ermengarda durante a cerimónia de proclamação do Bugio como Grão-Ducado.

Com Portugal imerso numa guerra fratricida entre Absolutistas e Liberais, forma-se no Bugio o Partido Integrista que, a 21 de Setembro de 1830, com o apoio de todos os sectores da sociedade bugiesa proclama o Grão-Ducado do Bugio, aclamando o duque Godofredo como Grão-Duque Godofredo I. Finda a guerra, a ilha é cercada pela marinha de guerra portuguesa mas o cerco é levantado quando começa a chover e nunca mais se fala no assunto. O estatuto do Bugio passa a ser o de uma nação soberana livremente associada ao Reino de Portugal e com o Grão-Duque como vassalo do Rei português.

Independência

Militantes independentistas bugieses em plena celebração. Um deles não tem calças.

Com a consolidação da República Portuguesa procalamada em 5 de Outubro de 1910, a Assembleia Nacional Bugiesa aprova a 7 de Outubro o corte unilateral de todos os vínculos institucionais com o país vizinho. A independência é declarada no dia 9 entre manifestações de júbilo popular. Pelo Tratado de Jacarandá, assinado em 17 de Novembro do mesmo ano, Portugal reconhece o estado bugiês e estabelece-se uma data para a troca recíproca de embaixadores. O primeiro embaixador do Bugio em Portugal seria Geodósio Campo D’Ourique, auxiliado pela sua cadelinha caniche, Fifi.

A Revolta dos Carecas

A Junta Militar que tentou apoderar-se do poder em Março de 1951, alguns ostentando capachinhos. Ao centro, o Brigadeiro Higídio Mascaranenhas, tapando uma nódoa suspeita na farda com as mãos.

No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, um grupo de generais calvos e anarcas ressentido com a neutralidade do país que não lhes permitiu satisfazer os instintos belicistas mobiliza os sectores mais influenciáveis das Forças Armadas e, em Julho de 1951, toma de assalto a Assembleia Nacional, o Palácio da Mururoa e o edifício da DRB (Difusão Radiofónica Bugiesa, actual Buxxio 2000 FM Max). Como medida de precaução, a Família Grão-Ducal foi levada para as Bahamas onde ficou refugiada até Outubro, quando a crise foi saneada com o envio dos militares revoltosos para um campo de prática compulsiva de Giripu (jogo tipicamente bugiês semelhante ao paintball mas jogado com arco e flecha). A consequência mais grave do levantamento foi o escaldão nas alvas nádegas de Sua Alteza Real, o Grão-Duque Teodorico II.*

*(então Duque de Showangwabangwaningwabalangwalangwangwa).

Por Bugio

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